Proteção Respiratória

Riscos respiratórios nos trabalhos em cabines de pintura

01 out 14 Por Claudinei Machado 0 comentários
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Riscos respiratórios nos trabalhos em cabines de pintura

Nos trabalhos realizados em cabines de pintura algumas medidas de segurança devem ser tomadas para garantir a saúde ocupacional do trabalhador. Durante a pulverização de tinta, verniz ou outros revestimentos a qualidade do ar respirado pelo trabalhador deve atender as exigências legais do Ministério do Trabalho e Emprego.

Cabine de pintura com ar mandado
Esses riscos podem ser aerodispersóides presentes nos produtos aplicados, o solvente utilizado ou outros agentes químicos prejudiciais à saúde, como o isocianato. Outras vezes, o risco pode estar no suprimento de ar respirável utilizado pelos trabalhadores durante as atividades, como por exemplo gases captados pelo compressor, névoa de óleo desprendida na compressão do ar ou material condensado como água e óleo (ou misturas). Essas misturas condensadas no interior do vaso reservatório de ar podem acabar sendo arrastada e trazer diversos contaminantes e agentes prejudiciais à saúde do trabalhador.
Note que é comum, neste setor, usar equipamentos de proteção respiratória (EPR) descartáveis, do tipo de PFF. Essas máscaras de rosto, que proporcionam proteção contra poeira e aerodispersóides, são comumente selecionadas com base no conforto que propiciam e não em seu fator de proteção e em sua capacidade de fornecer ar com qualidade adequada para respiração.

Gases tóxicos: O monóxido de Carbono

O monóxido de carbono (CO) é um gás incolor, sem cheiro e que pode provocar a morte quando inalado em grandes concentrações. O CO é conhecido como assassino silencioso porque pode matar uma pessoa sem que ela consiga sentir que está sendo envenenada.
O COpode ser gerado quando ocorre uma queima incompleta do combustível (gasolina, diesel ou lenha) ou ainda pode ser gerado pela compressão do ar em um ambiente pouco ventilado ou com compressor sem manutenção adequada (pouco provável porém possível devidos as elevadas temperaturas durante a compressão do ar). Caso o monóxido de carbono seja captado por um compressor, rapidamente pode envenenar um trabalhador e na pior hipótese levá-lo a morte em poucos minutos de exposição. Entre 1000 e 2000 ppm o monóxido de carbono pode levar a morte em segundos.
O monóxido de carbono combina facilmente com a hemoglobina das células vermelhas do sangue, tornando-os incapazes de transportar oxigênio para os tecidos. Como a hemoglobina absorve o monóxido de carbono de cerca de 200 vezes mais rápido que o oxigênio, mesmo baixas concentrações é perigoso e pode levar a anóxia (asfixia / falta de oxigênio nas células), mesmo que haja suprimento de ar comprimido em quantidades adequadas.
A OSHA exige alarmes de alta temperatura em compressores de ar lubrificados porque em condições de superaquecimentos pode produzir monóxido de carbono através da oxidação parcial de vapores de óleo e petróleo. Além disso é exigido como medida complementar que a linha de suprimento de ar tenha um detector de COcom leitura direta e constante durante todo o tempo.
Os sintomas da exposição a pequenas concentrações de CO podem ser:
·         Dor de cabeça,
·         Mal-estar,
·         Confusão,
·         Perda de consciência e morte.
 

Orientações para um trabalho seguro com risco de CO

·         Verifique o compressor regularmente para garantir que ele está em bom estado de conservação, com o óleo lubrificante adequado, na validade e que o sistema esteja sendo bem ventilado. Garanta que haja um alarme ou relé térmico que desarme caso a temperatura do sistema aumente acima das especificações estabelecidas pelo fabricante;
·         Instale um sistema de filtragem de ar de alto desempenho (filtros de ar de respiração) com no mínimo: 01 separador de condensado com purgador automático, 01 filtros coalescente e 01 filtro de carvão ativado. Em ambientes de trabalho com alto risco de captação de CO recomenda-se a utilização de um filtros especial para remover esse gás (catalisador de CO). Assim, em caso de contaminação o gás venenoso será removido automaticamente pelo filtro.
·         Jamais deixe máquinas com motor a combustão ligadas próximo as salas dos compressores. Caso existam máquinas próximo, garanta que o compressor faça a tomada de ar de um lugar mais alto e com menor possibilidade de contaminação;
·         Instale um detector de monóxido de carbono de alta qualidade e confiança na entrada do sistema de ar comprimido ou na saída do sistema de ar respirável;
·         O sistema deve com um alarme sonoro e visual, próximo as frentes de trabalho ou da cabine de pintura. O sistema deve ser calibrado para ser acionado quando os limites ocupacionais vigentes (ABNT NBR 12543, 1999 / RDC 50 – ANVISA / NR 15) forem atingidos;
·         O sistema pode possuir meios de emitir relatórios da qualidade do ar em intervalos de tempo pré-programados para que seja possível ter rastreabilidade do ar inalado durante as atividades ocupacionais realizadas e para efeito de auditorias.

Risco: Névoa de óleo – Residual de hidrocarbonetos voláteis na rede de ar comprimido

O óleo lubrificante do compressor é um potencial contaminante dos sistemas de ar respirável. Devido a construção dos mecanismos de compressão e lubrificação, fragmentos microscópicos (névoas) podem são arrastadas pela rede de ar comprimido. Alguns sistemas de compressão possuem filtros dedicados para a separação do ar e do óleo para diminuir essa contaminação.
De acordo com a Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA), agência do governo americano, certos tipos de óleos minerais são cancerígenos e casos de câncer de pele foram relatados em trabalhadores superexpostos. Além de problemas de pele, os trabalhadores também tiveram irritação de olhos, nariz e garganta, como resultado da exposição a esses vapores. Uma das principais preocupações relativas aos perigos que uma dose diária de névoa de óleo envolve possíveis danos para o sistema respiratório. A exposição em longo prazo pode levar a bronquite, asma brônquica, tosse crônica, dificuldade para respirar e em alguns casos pode desencadear uma pneumonia lipoídica. Estudos de agências como a OSHA, o Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional (NIOSH) e do Centro de Controle de Doenças (CDC) sobre a relação da exposição à névoa de óleo e o câncer de pulmão são constantemente realizados e atualizados. Embora não haja nenhuma conclusão “oficial” quanto à relação direta do câncer de pulmão causado pela exposição em longo prazo, os especialistas concordam que há alguma evidências de aumento da susceptibilidade devido a exposição a névoas de óleo provenientes do uso do ar gerado por compressores lubrificados. Um sistema de ar respirável bem projetado deve contar com um eficiente detector de névoa de óleo para evitar exposição ocupacional. O padrão OSHA atual para a exposição à névoa de óleo mineral é de 5mg/m3 de ar, para uma jornada de trabalho de 8 horas.  Saiba mais sobre os detectores de névoa de óleo aqui e saiba mais sobre os riscos e estudos do CDC/NIOSH e os limites de exposição no Occupational Health Guideline mineral oil mist aqui. Quando o sistema de ar respirável possui um detector de névoa de óleo, os riscos de exposição ocupacional diminuem e consequentemente o desenvolvimento de doenças respiratórias crônicas também diminuirá, além disso, caso o conjunto de filtros utilizados para purificar o ar de respiração esteja saturado ou danificado, o detector de vapores orgânicos voláteis (névoas de óleo) também informará.

Risco: Isocianatos em cabines de pintura

Os isocianatos são encontrados em catalisadores da maioria dos primers (bicomponentes), acabamentos e vernizes. Os catalisadores são usados para acelerar a cura e secagem de tintas, vernizes e primers – principalmente aqueles utilizados em peças plásticas. A exposição ocorre principalmente durante a pulverização da tinta mas o contato com a pele e olhos também pode ocorrer durante a pesagem e mistura desses produtos. Algumas montadoras já começam a se atentar ao risco e já no caderno de encargos de adequações, montagens e fabricação de novas cabines de pintura tem exigido que as prestadoras de serviço se adequem a necessidade utilizando equipamento com suprimento de ar respirável quando do manuseio e aplicação desses produtos.

 Perigos da respiração em isocianato névoa pintura

Quase todas as oficinas usam tintas e vernizes contendo endurecedor isocianato. É importante lembrar que as tintas à base de água também podem conter isocianatos.
Ao se pulverizar tinta em cabines fechadas a névoa de isocianatos podem ser inaladas e causar problemas respiratórios crônicos como asma, rinite e bronquite. Um trabalhador exposto ao isocianato tem cerca de 80 vezes mais probabilidade de obter asma do que o trabalhador não exposto ao risco.
Com a exposição continuada, a asma pode se tornar permanente, grave e crônica. Quando isso ocorre, qualquer pequena quantidade de isocianato pode desencadear um ataque.
Em ambientes com exposição a esses riscos, certamente, o trabalhador precisará eliminar a exposição ao risco e consequentemente se desligar das tarefas relacionadas a manipulação desses produtos. Outra maneira de lidar com o risco é a utilização de equipamentos de proteção respiratória (EPRs) que garantam que o aerodispersóide não atinja as vias respiratórias, pele e olhos durante o uso.
Os primeiros sintomas da exposição ao isocianato incluem uma ou mais das seguintes características:
·         Corrimento nasal e coriza constante;
·         Feridas recorrentes e lacrimejamento;
·         Aperto no peito, ocorrendo muitas vezes fora do horário de trabalho;
·         Tosse persistente;
·         Arrepios gripais;
·         Respiração com chiado;
·         Falta de ar;
Obviamente não quer dizer que os sintomas acima, isolados, e sem o acompanhamento de um médico de saúde ocupacional ou profissional da área não serão indicadores suficientes para indicar exposição aos isocianatos.
A exposição pode causar graves problemas do aparelho respiratório como a asma, uma vez que o aparelho é muito sensível ao isocianato.

Orientações para um trabalho seguro em cabines de pintura

·         Consulte o departamento de segurança e saúde ocupacional da sua empresa ou a empresa responsável pela elaboração PCMSO para garantir que não exista o risco no seu ambiente de trabalho;
·         Sempre que possível utilize alternativas aos endurecedores a base de isocianatos;
·         Trabalhe apenas em uma cabine de pintura equipada com ventilação mecânica adequada (medidas de proteção coletiva);
·         Utilize equipamento de proteção respiratória com linha de ar comprimido (linha de ar mandado) sempre que as medidas de proteção coletiva não forem suficientes para garantir os fatores de proteção exigidos no PPR (clique aqui para baixá-lo). Utilize máscara facial completa ou capuz com linha de ar mandado para garantir pressão positiva nas vias respiratórias, proteger os olhos e a face e assim evitar a exposição ao risco ocupacional;

Datalogging da qualidade do ar e das jornadas de trabalho

Detector de CO com registro dos alarmes

Cada vez mais têm se usado desse tipo de recurso frente as avaliações da qualidade do ar. As avaliações da qualidade do ar são pontuais e pouco dizem a respeito do ar inalado pelo trabalhador. Com um sistema de datalogging da qualidade do ar é possível rastrear periodicamente (por exemplo minuto a minuto, hora a hora) os parâmetros do ar utilizado e dessa maneira evitar exposição ocupacional desnecessária. Com o registro da qualidade do ar, o erro da amostragem cai absurdamente, uma vez que são realizadas várias leituras ao longo do dia – diferente da amostragem em bags e cassetes utilizados por laboratórios que são realizadas anualmente ou quando muito semestralmente. Outra vantagem do datalogging da qualidade do ar é que em caso de contaminação da rede de ar respirável, uma medida de controle pode rapidamente ser tomada para resolver o problema, enquanto que no caso da avaliação do laboratório – caso seja constatada alguma contaminação ou parâmetro fora dos limites estabelecidos o laudo levará um tempo até ser gerado e constatada ou não uma anormalidade e esse tempo em segurança do trabalho pode ser tarde demais.

Para saber mais sobre a avaliação da qualidade do ar e o registro dos alarmes e eventos gerados pelo sistema de ar respirável do detector multigases para ar respirável consulte a Breathe.

Água / Vapor de água no ar respirável

Todo ambiente contém quantidades consideráveis de água na forma gasosa (vapor). Mesmo em ambientes inóspitos como o deserto do Atacama ou a Antártida, onde a umidade relativa é extremamente baixa o ar ambiente contém água. Não entrarei nos detalhes físico-químicos das propriedades do ar/vapor d’água (psicrometria) mas se quiser saber mais sobre o assunto o Prof. Luiz Carlos Martinelli Jr tem um excelente material (clique aqui para saber mais) e a Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp também disponibiliza um material (clique aqui) esclarecedor (inclusive com exercícios de cálculo de massa de água contida na compressão de ar por um compressor) sobre o assunto. O fato é que ao comprimir uma determinada massa de ar (com vapor de água), a determinada temperatura e pressão iniciais (ambiente), essa massa sofrerá um acréscimo de temperatura e uma diminuição do volume inicial e consequente aumento da pressão. Devido as propriedades dos gases, um determinado volume de ar a determinada temperatura e pressão admitem uma determinada quantidade de vapor de água (sem condensar). Fazendo uma analogia com o coeficiente de solubilidade da água e o sal – um copo de água admite uma determinada quantidade de sal dissolvido (e sem decantar no fundo do copo). A partir do momento em que o coeficiente de solubilidade é atingido o sal começa a decantar no fundo do copo.  Mesmo que se misture mais, o sal vai continuar a decantar no fundo do copo. Por outro lado, se começarmos a elevar a temperatura da água, o sal começará a se misturar novamente (sem decantar no fundo do copo) até que se atinja novamente o coeficiente de solubilidade para aquela nova temperatura.
Dessa mesma forma, após a compressão do ar, a temperatura da massa de ar começará a voltar a seu estado inicial (temperatura ambiente). Ao diminuir a temperatura, a massa de ar inicial não consegue mais reter a mesma quantidade de vapor contida quando pressurizado e passará a condensar ao longo da rede de ar comprimido.
A água condensada é um dos piores contaminantes do ar respirável. A água aglutina e arrasta misturas de óleo, particulados e aerodipersóides presentes na admissão do ar, desprendidos da unidade compressora e do reservatório de ar. Além disso, essa condensação ajuda na proliferação de fungos e bactérias que também contaminam a rede de ar comprimido e podem inclusive se proliferar no interior dos filtros do ar respirável, caso o sistema não conte com um secador de ar comprimido adequado para a aplicação. A água também ajuda na oxidação e formação de ferrugem ao longo da rede (para saber mais sobre o risco e os problemas relacionados a água e a compressão do ar clique aqui).
Outro problema do vapor de água é que ele pode acabar condensando nas peças faciais e capacetes (EPR), dificultando a visão. Quando a umidade não é devidamente controlada, a rede de ar comprimido e as saídas de válvulas podem congelar e bloquear o fluxo de ar. Isto é de particular preocupação para os trabalhadores que utilizam conjunto autônomo e sistemas de cascata (cilindros de reserva / backup) como suprimento de ar respirável.

Sólidos – Material Particulado (MP) no sistema de ar respirável

Partículas sólidas têm efeitos adversos sobre os trabalhadores e pode causar diversos problemas respiratórios. Dependendo do tipo de partícula (aerodispersóide) pode inclusive aumentar a probabilidade de reações alérgicas e, em casos extremos, provocar sintoma semelhante aos da silicose, câncer de pulmão, má formação de feto e morte prematura. Esses materiais geralmente entram no sistema através da captação do ar do compressor ou se desprendem das partes móveis do compressor e da infraestrutura da rede de ar. Em alguns compressores isentos, ainda, é possível que o compressor de ar possa introduzir partículas sólidas na rede de ar. Peças de teflon, carbono, e outros materiais são utilizados na compressão de ar – na falta de lubrificantes, e em caso de desgaste por atrito ou superaquecimento das peças, estes materiais podem se desprender e serem arrastados pela rede de ar.
As partículas inaláveis (MP10) podem ser diferentes de maneira simplificada como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor que 10 µm. As partículas inaláveis podem ainda ser classificadas como partículas inaláveis finas MP2,5 (2,5 micra) e partículas inaláveis grossas (2,5 a 10 micra). As partículas finas, devido ao seu tamanho diminuto, podem atingir os alvéolos pulmonares, já as grossas ficam retidas na parte superior do sistema respiratório. Em regiões pouco poluídas ou com controles adequados dos níveis de poluição os níveis de particulados inaláveis (MP10) no ar ficam entre 20 e 30 micra por metro cúbico, já em regiões com grande concentração de indústrias e grandes polos industriais esses valores podem ficar entre 50 e 65 micra por metro cúbico ou ainda mais.
Quando o ar é comprimido a 7 kgf, por exemplo, essas concentrações pode ser de sete vezes maior. O volume ocupado por essa massa de ar, diminui 7 vezes, porém a concentração de contaminantes para um mesmo espaço aumenta 7 vezes. Por conta disso é tão importante que a purificação do ar respirável seja realizada por sistemas de ar respirável bem dimensionados e com controles adequados da qualidade do ar entregue ao usuário final.

Cinco etapas de purificação do ar de processo / ar comprimido fabril

Purificadores de ar seguem um processo de cinco etapas para eliminar contaminantes e para proporcionar um ar com qualidade de ar respirável Grau D, conforme a CGA G.7-1 recomenda. Esse item pode ser encontrado na OSHA 1910.134 transcrita abaixo:
1910.134(i)(1)(ii)
Compressed breathing air shall meet at least the requirements for Grade D breathing air described in ANSI/Compressed Gas Association Commodity Specification for Air, G-7.1-1989, to include:
1910.134(i)(1)(ii)(A)
Oxygen content (v/v) of 19.5-23.5%;
1910.134(i)(1)(ii)(B)
Hydrocarbon (condensed) content of 5 milligrams per cubic meter of air or less;
1910.134(i)(1)(ii)(C)
Carbon monoxide (CO) content of 10 ppm or less;
1910.134(i)(1)(ii)(D)
Carbon dioxide content of 1,000 ppm or less; and
1910.134(i)(1)(ii)(E)
Lack of noticeable odor.
A CGA G-7.1 foi atualizada em 2011 (clique aqui para saber mais) e contém novos termos e definições para a qualidade do ar, porém o cerne da ideia continua o mesmo – que é garantir que os trabalhos com uso de ar mandado (suprimento de ar) seja realizado com o mínimo de condições e que não ofereça risco a saúde e a vida ocupacional do trabalhador. A NBR 12543 copia os termos e parâmetros técnicos especificados por ela, em seu Anexo A.

O óleo contido no ar comprimido – Misturas de arraste

Óleo líquido é removido da corrente de ar com um filtro de coalescência. O ar comprimido passa por um elemento de filtro de fibra misturada (geralmente borossilicato), que remove as gotículas de óleo em até 0,01 ppm.  Dependendo da qualidade do ar fabril esse desempenho é atingido com mais de um elemento filtrante, ou seja, com mais de um estágio de coalescência.
O vapor de água e outros líquidos e misturas são removidos por meio de um secador de ar comprimido. Dependendo das especificações do sistema, pode ser utilizado um secador de refrigeração ou um secador de ar com dissecante (geralmente por adsorção). O ponto de orvalho negativo só pode ser alcançado através de secadores com material dissecante e podem chegar a pontos de orvalho de até -70°C – (secadores de adsorção). Esses secadores do tipo dissecante podem utilizar uma ou duas camadas de dessecante. Materiais dessecantes tipicos são a alumina, a silica gel, a peneira molecular, ou ainda um blend desses – que juntos têm uma grande capacidade para capturar e reter grandes quantidades de umidade. De modo geral esses secadores operam com duas câmaras (colunas), uma trabalhando e outra regenerando e, são operadas através de um temporizador que controla os tempos de válvulas elétricas ou pneumáticas garantindo o uso e regeneração da colunas. Outros mais sofisticados já contam com medidor de ponto de orvalho que controla ativamente a entrada e regeneração de cada coluna ao longo do consumo do ar comprimido.

O monóxido de carbono (CO) em sistemas de ar respirável

Um catalisador converte o monóxido de carbono (CO) em dióxido de carbono (CO2). O elemento interno (geralmente HOPCALITE) oxida o CO a CO2, na presença de oxigênio (O2). A reação é: 2CO + O2 → 2CO2. A taxa de conversão diminui acentuadamente quando o ar contiver umidade ou outros contaminantes. Por conta disso, o catalisador só pode ser utilizado após o tratamento adequado do ar respirável (filtragem e secagem).  Os riscos, sintomas e locais onde o CO pode ser encontrado já foi comentado neste mesmo artigo, no item Gases tóxicos: O monóxido de carbono.

Névoa de óleo residual em sistemas de ar respirável

A névoa de óleo (ou hidrocarbonetos) pode ser removida da corrente de ar comprimido com um filtro que utiliza carvão ativado. Além de remover névoas de óleo, os filtros de carvão ativado são capazes de remover gosto e odor que podem estar presentes no ar comprimido (e que segundo a NBR 12543 também devem ser eliminados do ar). Apesar de não ser tóxico, gostos e odores podem interferir no conforto e desempenho do trabalhador.

Partículas sólidas finais e Nanopartículas

As partículas sólidas são filtradas por filtros de alto desempenho (com capacidade de remoção de até 0,003 µm). As partículas arrastadas do secador ou outro componente do sistema de ar respirável será removido durante essa fase. Com essa capacidade de remoção, esses filtros algumas vezes podem receber certificações de bactericida e microbiológicos por conta do desempenho atingido na remoção desses microorganismos nessa escala.

Padrões e Normas a serem seguidas, no Brasil

Norma (padrão) de Ar Respirável no Brasil – ABNT/NBR
A ABNT NBR 12543 é uma norma de recomendação com os padrões de ar respirável que devem ser seguidos quando se utiliza sistemas de ar respirável com linha de ar mandado (adução de ar).
ü  ABNT NBR 12543, de 1999 – Equipamentos de proteção respiratória – Terminologia.

Resoluções de Diretoria Colegiada (RDC)

As Resoluções de Diretoria Colegiada (RDC) tem caráter de lei. A RDC tem força de lei e é do Ministério da Saúde, ANVISA. Já as ABNTs são elaboradas com a sociedade civil e apresentam recomendações.
Leis da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que contém parâmetros e orientação da qualidade do ar respirável/medicinal:
ü  RDC 50
ü  RDC 307

Normas Regulamentadoras (NRs)

As NR – Normas Regulamentadoras são normas elaboradas pelo Ministério do Trabalho. Foram criadas e devem ser observadas a fim de promover saúde e segurança do trabalho na empresa.
As NR’s foram criadas para dar um formato final nas leis de Segurança do Trabalho. Foram feitas em capítulos para facilitar, normatizar e unificar as normas de segurança brasileiras.
As Normas Regulamentadoras tem força de lei, pois, como vimos, foram criadas pela lei N° 6.514 de 1977.

Norma Regulamentadora NR 15:

Claudinei Machado
CoFundador da Breathe Sistemas de ar respirável