Proteção Respiratória

Proteção Respiratória contra contaminação por Partículas Ionizantes

12 ago 11 Por Claudinei Machado 0 comentários
Proteção radiológica respiratória

           Proteção Respiratória contra contaminação por Partículas Ionizantes

Com a descoberta dos princípios da energia nuclear, diversos campos da ciência se desenvolveram. A radioterapia, os Raios-X, o uso da radiografia na agricultura, a gamagrafia na indústria, a datação fóssil por carbono 14 e a geração de energia elétrica são algumas dessas aplicações. O crescimento dessas aplicações em larga escala e a manipulação cada vez maior de tal princípio, trouxe na bagagem alguns problemas sérios e difíceis de serem resolvidos ou contornados. A contaminação do meio ambiente e dos seres vivos é um desses problemas apresentados. Nesse artigo trago algumas informações relevantes quanto aos riscos e os cuidados que devem ser tomados dentro das usinas nucleares, fábricas de enriquecimento de urânio, subsidiárias e outras atividades que de uma forma ou de outra acabam tendo contato direto com materiais que possam estar contaminados com partículas ionizantes. Nosso foco, como sempre, será a proteção respiratória e as tecnologias envolvidas para assegurar a saúde de quem venha a manipular tais fontes de contaminação.

      

Contaminação x Radiação Nuclear 

      Imagine a simples tarefa de limpeza e faxina de um prédio industrial. Uma faxina comum, limpeza do chão, paredes, peças e armários. Imaginou? Não é difícil é? Pois é, mas essa tarefa pode ter um grau de dificuldade muito grande e demandar recursos técnicos, planejamento e procedimentos específicos quando estamos em uma usina nuclear. 
      Antes de iniciar propriamente com a proteção respiratória contra partículas ionizantes é preciso pelo menos uma definição de contaminação por radioisótopos e a radiação emitida por esses materiais. A contaminação por radioisótopos se dá quando uma superfície qualquer ou uma pessoa tem contato com água, aerodispersóides ou qualquer outro tipo de material que contenha átomos emissores de energia ionizante. Quando isso ocorre, a superfície contaminada se torna uma fonte de radiação. 
      A radiação nuclear acontece com qualquer partícula, que carregue consigo átomos radioativos. A emissão dessa forma de energia eletromagnética é capaz de provocar alterações do material genético, má formação de células, queimaduras e pode levar a morte quando as doses de radiação absorvidas forem muito altas. 
      A preocupação dos departamentos de segurança, saúde ocupacional e meio ambiente das empresas que manipulam tais materiais é para que seja evitado a todo custo, vazamentos, dispersão de material contaminado, geração de rejeitos contaminados (lixo radioativo) e as doses de radiação absorvida pelos funcionários seja a menor possível enquanto estes estiverem nas dependências da empresa.  
 

A contaminação

      A contaminação do organismo humano por fontes radioativas não controladas é muito complicada, porque geralmente tais partículas são muito pequenas e podem se esconder ou for absorvidas para o interior das células. Como a partícula contaminada é fonte emissora de energia ionizante, no interior do organismo tal partícula seguramente desencadeará alterações do material genético e produzirá efeitos nocivos a médio e longo prazo. Trabalhar com certos materiais radioativos, como o volátil I-125 ou quantidades milicurie da S-35 metionina / cisteína, deve ser manipulado em bancadas dotadas de coifas para aspirar todo o material volatilizado para evitar inalação pelos trabalhadores. O Trítio (gás), por exemplo, tem uma alta difusividade e exige cuidados especiais para evitar sua ingestão, inalação ou absorção através da pele.

      Quando trabalhamos com material radioativo as vestimentas devem isolar todo o corpo de possíveis contatos, salpicos e derramamentos. A proteção respiratória em ambientes com possibilidade de dispersão de partículas ionizantes ou ainda trabalhos de rotina que manipulem tais materiais são casos especiais da saúde e segurança ocupacional nas empresas. As usinas nucleares de Angra I e Angra II, por exemplo, possuem um departamento de proteção radiológica que cuida do controle permissões, acessos e dosagens ocupacionais recebidas por todos que acessam as áreas controladas e ainda cuida da limpeza, monitoração de material que entra e sai da usina.

      Em oficinas de manutenção ou em paradas de manutenção industrial a utilização de proteção respiratória ocorre em trabalhos específicos, onde a suspensão de particulados (aerodispersóides) pode de alguma forma comprometer a saúde dos trabalhadores a médio ou longo prazo por efeito cumulativo no organismo, ou ainda devido à presença de gases tóxicos que podem causar acidentes ou mesmo a morte por asfixia ou envenenamento. Porém, nas atividades de manutenção que ocorrem nos prédios ou nos setores da usina nuclear, quando por algum motivo houver contato direto com o circuito primário do processo de geração de energia, a probabilidade de haver contato com partículas ionizantes é alta. A simples tarefa de inspecionar os geradores de vapor (G.V) ou ainda a limpeza das bombas de circulação de água do sistema pode comprometer o trato respiratório e ainda chegar ao sistema circulatório. Agora imagine uma partícula contaminada com átomos altamente radioativos no interior das células? Não parece coisa boa não é? 
      Algumas tarefas têm probabilidades tão altas de contato com material radioativo pelos operadores, que são utilizados macacões infláveis, conhecidos popularmente como bolha. Trata-se de vestimentas de material transparente que protegem todo o corpo contra contaminação de particulados, vapores ionizantes e respingos, devido o tipo de material que é produzido e a pressão positiva gerada no interior da vestimenta. Algumas são feitas de material que impede parte da radiação de penetrar o material. Algumas outras são ventiladas e podem ter ainda regulagem de fluxo de ar no engate de entrada da mangueira de ar mandado (ar respirável). De um modo geral são desenvolvidas para serem fáceis de ser retirada e são descartáveis. Tais equipamentos de proteção individual são utilizados de somente em atividades onde realmente seja necessário o contato do homem com algum material contaminado, devido os riscos dessa atividade.